sábado, 2 de janeiro de 2016

É um pássaro? É um avião? Não. É o Übermensch!

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        O super-homem ao longo da história surgiu primeiramente com a conceitualização filosófica  de um dos maiores filósofos pós-moderno; Friedrich Wilhelm Nietzsche. Em seu livro: “Assim falou Zaratustra”, escrito entre 1883 e 1885, com o termo em alemão Übermensch que também pode ser traduzido como além do humano ou sobre-humano. Outro alemão que utilizou do super-homem, mas sem um teor filosófico foi o romancista e filósofo Johan Wolfgang Von Goethe, em seu livro “Fausto”, que conta a história de Dr. Fausto um médico que vende a sua alma para um demônio chamado Mefistofóles em troca de poder e riquezas.
          O super-homem de Nietzsche teria uma educação eugênica, um homem que parte da afirmação da morte, que inventa a si mesmo sem partir de um modelo predefinido, um homem que sabe lidar com os conflitos de sua vida e que não atribuí isso a nenhum deus, nem a moral, nem ao professor e nem aos pais. O super-homem nietzschiano está além do bem e do mal, da moral e da moralidade, além da sociedade é um homem forte e em busca do poder, um homem que está sempre se superando.  Um homem que está apto para construir a si próprio e se reconhece, o que seria a superação do homem comum.
            Antes da criação do Super-Homem pelos amigos de escola e com descendência judaica Jerome Siegel e Joseph Shuter em 1933, o povo estadunidense tinha passado pela Primeira Guerra Mundial vendendo armas, o que fez alavancar a economia. Até chegar a Quinta-feira Negra de 1929, o que ocasionou a falência e desemprego de milhares de pessoas.
            O povo estadunidense passava por problemas de autoafirmação e sobrevivência, então nesse ambiente surge o personagem que viria à ser o Super-Homem, esse personagem tinha impressionantes poderes mentais que utilizava para o mal. E teve a sua história lançada com o título “O reino do Super-Homem”, de todos os poderes que esse personagem tinha o futuro Super-Homem herdou somente a Super visão.
            Em 1938 em um cenário que anunciava a Segunda Guerra Mundial surge o Super-Homem que conhecemos atualmente, para exaltar os valores norte-americanos com o seu lema: “Defender a verdade, a Justiça, e a América” ou “Pela verdade, pela Justiça a maneira americana”. Os poderes do Super-Homem foram adquiridos granças ao Sol amarelo, o Super-Homem funciona como uma bateria solar recarregável e seus poderes são: Super força, Invulnerabilidade, Voo, Supervelocidade, Visão de raio-X, Visão de calor, Respiração Super-Humana (Sopro Congelante), Super Audição, Olfato sobre-humano e hipnose.
            O Super-Homem veio de um planeta chamado Krypton, enviado pelos seus pais Jor-El e Lora ainda bebê. Caiu na cidade de Smallville (conhecida como Pequenópolis) e foi encontrado por um casal chamado Jonathan e Martha Kent, que cuidou dele como se fosse seu próprio filho e foi educado na moral e ética norte-americana.
            Essa vinda do Super-Homem para o planeta Terra pode ser comparada com a história bíblica de Moisés, que é encontrado pela filha do Faraó em um cesto que boiava no rio Nilo. Mesmo sendo escravo foi criado como egípcio e quando chegou a idade adulta Moisés toma o lado dos hebreus e luta contra o Faraó. No caso de Moisés, o povo mais fraco produziu o herói. No caso do Super-Homem um raça superior produziu o Kal-El que foi encontrado em uma cesta, ou melhor uma nave, e fica por aí as semelhanças entre os dois.
            As provações representam a sua morte simbólica para posteriormente renascer o herói, através da sua morte simbólica o herói passa a ter conhecimento de suas fraquezas e de suas forças para assim adquirir maturidade e conseguir passar pelos seus desafios durante a sua jornada. No caso de Moisés e Kal-El o seu renascimento é a partir do útero simbólico, a cesta e a nave.
            O Super-Homem usa a cueca por cima das calças, não pelo fato de ele ter perdido uma disputa de queda de braços para o Chuck Norris, mas sim pelo fato de que na época em que foi criado, as “Telecatch” ou lutas-lives estavam no seu auge.
            Se pensarmos no ato de vestirmos uma roupa como uma forma de ressaltar o nosso ideal ou até mesmo negá-lo e até mesmo falar alto sobre a nossa sexualidade ou esconder embaixo de uma grossa camada de tecido, sendo uma forma de nos sentirmos inseridos em um grupo ou excluídos. O Super-Homem pede para a sua mãe adotiva Martha fazer a sua “fantasia” com o tecido que veio junto de sua nave com o brasão da família de Jor-El estampado no peito. Vestido desta forma ele se reconhece como um kryptoniano e na realidade a sua fantasia seria o humano Clark Kent um frágil, tímido e às vezes covarde humano, essa talvez possa ser uma crítica a todos os humanos que o Super-Homem faz.
            Levando em consideração o pensamento filosófico de Nietzsche o Super-Homem nada mais é do que a figura do Deus Apolo, que é a bela aparência, a serenidade e a ordem. Enquanto que o Deus Dioníso é a desmedida, a loucura e a embriaguez. Desta forma não é possível comparar o Übermensch com o Super-Homem, pois Clark Kent  (Kal-El) não vai contra a moral e a moralidade em que foi educado. No universo do Super-homem o seu arquirrival Lex Luthor seria a figura do Deus Dioníso em conflito com o Apolo. Luthor tem mais do Übermensch do que o próprio Super-Homem, nessa busca pela superação do homem comum Luthor chega a ser Presidente dos EUA.

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